O material Green Belt fornecido organiza a governança de Seis Sigma em seis grupos: liderança executiva, Champions, Master Black Belts, Black Belts, Green Belts e demais membros da equipe. Para cada grupo, apresenta funções e responsabilidades distintas.
Essa separação não é apenas hierárquica. Ela existe para resolver problemas diferentes: prioridade estratégica, patrocínio, direção, competência técnica, gestão do projeto e execução do trabalho. Quando esses papéis se confundem, a equipe tende a perder velocidade ou autonomia.
A arquitetura de governança
Liderança Executiva
Inicia e patrocina o processo, comissiona times e acompanha os esforços. Deve identificar Champions, revisar projetos e mensurar resultados.
Champion
Seleciona e prioriza projetos, atribui líderes, ajuda a construir o contrato, remove barreiras, verifica ganhos e encerra o projeto.
Master Black Belt
Fornece orientação metodológica, apoia patrocinadores e Belts, participa de revisões e monitora o portfólio de projetos.
Black Belt
Conduz projetos de maior dedicação, gerencia o trabalho, aplica o modelo de melhoria e reporta progresso ao Champion.
Green Belt
Trabalha em projetos de melhoria com dedicação parcial e aplica ferramentas estruturadas, normalmente mantendo responsabilidades funcionais.
Equipe e demais envolvidos
Participam das atividades conforme necessidade e apoiam a execução com conhecimento operacional e capacidade de implantação.
As descrições acima sintetizam as páginas 27 a 32 do material, que atribuem papéis específicos a cada camada.
Liderança executiva: dar direção e cobrar resultado
Segundo o material, a liderança executiva inicia e patrocina o processo, comissiona times e gerencia esforços. Entre as responsabilidades estão identificar Champions em áreas funcionais, revisar projetos periodicamente com esses Champions e mensurar resultados.
Na prática, esse papel responde por uma pergunta que nenhum Belt deveria decidir sozinho: quais problemas merecem recursos da organização? Um programa de melhoria perde credibilidade quando produz dezenas de projetos tecnicamente interessantes, mas desconectados das prioridades do negócio.
Champion: o dono da direção e das barreiras
O Champion aparece no material como quem identifica, prioriza, seleciona e aprova projetos, atribui projetos a Black Belts e Green Belts, participa da elaboração do contrato com a equipe, gerencia a direção do projeto, remove barreiras, verifica ganhos, comunica sucessos e encerra o trabalho. Também é responsável por identificar Belts, fazer checkpoints e medir sua performance.
Se o Black Belt precisa negociar sozinho recursos, prioridade, acesso a dados e conflito entre áreas, o projeto pode até ter um “Champion” no organograma — mas não tem patrocínio efetivo.
Master Black Belt: coerência técnica e desenvolvimento da capacidade
O material atribui ao Master Black Belt orientação e apoio técnico em Seis Sigma para Black e Green Belts, apoio ao patrocinador e ao Black Belt, treinamento e educação, participação na revisão dos projetos e monitoramento do conjunto de iniciativas.
Esse papel evita que cada projeto “invente seu próprio DMAIC”. Também funciona como mecanismo de escalonamento técnico: dúvidas sobre sistema de medição, estabilidade, capacidade, experimentação ou desenho de testes não precisam ser resolvidas por improvisação.
Black Belt e Green Belt: aplicação do método e entrega do projeto
O material indica dedicação de Black Belts entre 20% e 100% e, para Green Belts, em torno de 20%, ressaltando que ambos trabalham em projetos de melhoria com equipe, usam o modelo de melhoria, reportam progresso ao Champion, gerenciam o trabalho e se relacionam com o Master Black Belt.
A diferença de título não deveria ser lida apenas como “mais ferramentas”. Em uma governança madura, a complexidade, o risco e a dedicação esperada ajudam a determinar quem lidera o projeto.
A equipe: onde mora o conhecimento do trabalho real
Os demais membros participam conforme a necessidade e apoiam as atividades. Essa descrição pode parecer simples, mas é decisiva: o método não substitui conhecimento operacional. Uma equipe exclusivamente formada por especialistas em melhoria corre o risco de produzir uma solução elegante que não sobrevive ao turno seguinte.
A composição deve trazer quem conhece o processo, quem recebe sua saída, quem mantém equipamentos, quem produz dados e quem será responsável por sustentar o novo padrão.
Uma leitura prática em formato RACI
O material não apresenta uma matriz RACI, mas seus papéis permitem uma tradução gerencial útil. O quadro abaixo é uma interpretação Struckel, construída para facilitar governança:
| Decisão / atividade | Executivo | Champion | MBB | BB/GB | Equipe |
|---|---|---|---|---|---|
| Selecionar prioridade estratégica | A | R | C | C | I |
| Definir contrato e foco | I | A/R | C | R | C |
| Escolher método e ferramentas | I | C | A/C | R | C |
| Executar análises e testes | I | I | C | A/R | R |
| Remover barreiras organizacionais | C | A/R | C | C | I |
| Sustentar novo processo | I | A | C | R | R |
R = Responsible; A = Accountable; C = Consulted; I = Informed. Esta matriz é uma interpretação editorial e não está presente no material-base.
O que deveria acontecer em um checkpoint
Um checkpoint eficiente não é uma apresentação longa. Ele deve testar a qualidade da decisão esperada naquela fase. Um Champion pode perguntar:
- Define: o problema está conectado à prioridade do negócio e ao cliente?
- Measure: o indicador é confiável e a linha de base é compreendida?
- Analyze: quais causas possuem evidência e quais continuam hipóteses?
- Improve: quais mudanças foram testadas e com que resultado?
- Control: quem será dono do novo processo e como o desempenho será monitorado?
Cinco falhas típicas de papel
- Champion decorativo: aparece na abertura e no encerramento, mas não remove barreiras.
- Black Belt como “dono do processo”: o projeto depende dele e não é absorvido pela operação.
- MBB como auditor de slides: revisa formato, mas não ajuda a melhorar a lógica técnica.
- Equipe convidada tarde: participa apenas para “validar” uma solução já desenhada.
- Executivo olhando só economia: ignora capacidade construída, risco reduzido, experiência do cliente ou estabilidade operacional.
Projeto de redução de refugos
O executivo prioriza o tema por impacto em margem e capacidade. O Champion garante acesso entre Produção, Qualidade e Manutenção. O MBB orienta o desenho de medição e a estratégia analítica. O Black Belt conduz o DMAIC. Operadores e técnicos ajudam a identificar condições reais de processo e testam mudanças. Ao final, a operação assume o plano de controle.
O objetivo final é tornar a melhoria parte do sistema
Belts, Champions e especialistas são meios para desenvolver capacidade. O programa amadurece quando a organização aprende a selecionar melhor problemas, testar hipóteses com dados e sustentar mudanças sem depender de heróis. A estrutura de papéis é útil porque cria disciplina enquanto essa capacidade é construída.
Ferramenta ajuda a executar. Método ajuda a transformar.
Se o desafio deixou de ser apenas entender um conceito e passou a envolver processo, indicadores, variabilidade, governança ou projeto de melhoria, a Struckel pode estruturar a jornada com sua equipe.